Mostrando postagens com marcador escola. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escola. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de março de 2009

estilhaço dos orgãos internos das nossas almas

Passei por uma situação constrangedora hoje, ou pelo menos quase. Em uma das minhas crises de falar (gritar) tudo o que vem em minha mente durante uma das aulas pela manhã quase disse algo que afetaria diretamente a uma amiga minha.
"Eu disponibilizarei essa aula na internet para vocês, assim vocês podem olhar o assunto nos seus respectivos computadores" disse o professor, então pensei em uma piadinha (sem graça) e em milisegundos mudei de ideia e simplesmente não falei, "e eu que não tenho computador e não tenho vizinho nenhum para olhar a internet, faço como?" seria a piadinha (sem graça) que pretendia falar. Mas o que há de errado nisso? Nada demais para uma pessoa da classe média, mas tudo de ofensivo para uma pessoa que não tem condições e sua família se mata para poder lhe sustentar em uma escola particular sendo que as vezes nem dinheiro para o pão eles tem para comprar. Eu simplesmente bloqueei esse meu pensamento quando lembrei da minha amiga, mas se não lembrasse eu iria falar. Viva a ignorância de uma pessoa que nunca passou fome. E se houvessem outras pessoas na sala as quais passassem dificuldades também? Eu as ofenderia de forma tão grotesca que se eu tomasse conhecimento daquilo, me tornaria alguém altamente constrangido e as milhões de desculpas que eu pedisse não iriam resolver porque a pessoa iria dizer "não ligue não, eu nem ligo para essas coisas" e eu saberia que no fundo no fundo a pessoa estava sendo espedaçada pelo eco das palavras podres ditas pela minha boca.
O problema disso tudo está na famosa ignofrase (frase de ignorantes) que falamos "Eu não tive a intenção, JURO", em acharmos que tudo o que falamos pode ser revertido, em pensar que todos estão no mesmo nível que a gente e aqueles que estão em um nível maior são simplesmente podres e metidos. O que precisamos (percebeu que estou usando sempre a segunda pessoa? É porque eu faço parte dessa mediocridade) é abrir os olhos a todas as situações de preconceito. Piadinhas são palavras de humor, algo que nos faça rir, mas já pensou que contando uma piada além de fazer certas pessoas rirem (o que é a intenção) você está fazendo certas pessoas chorarem?
Gosto de chamar isso de estilhaço dos orgãos internos das nossas almas, ou, como dizem por ai ferir nossos sentimentos. Eu pensei dessa forma, porque era uma amiga minha que iria sofrer e sei que se não conhecesse alguém, ou não lembrasse, iria falar sim, graças a minha pura e santa ignorância. Pense nisso antes de falar alguma coisa, as vezes as pessoas sabem fingir o que sintem e por trás das risadas podem haver gritos e gemidos de dor.

segunda-feira, 16 de março de 2009

a primeira (e não última) pior nota da minha vida.

Tudo começa numa tarde de estudos... Uma tarde que na verdade se prolonga até as duas da manhã. Tudo bem que muitas vezes nos perdiamos conversando mais do que estudando, mas no final nós conseguimos estudar todo o assunto da maldita prova de Biologia.
A prova era no dia seguinte, a primeira prova do ano, nada demais comparado a dezessete anos de vivencia em uma escola. O despertador toca antes do sol nascer, caralho, porque morava tão longe? Antes do café, uma breve lida no caderno, só para garantir que o assunto iria fixar na mente, mas o final estava certo, eu ia me fuder naquela prova.
Ali estava eu, um garoto cujas malas haviam sido roubadas, recebendo um caderno de questões complexas de biologia, "e agora, por onde eu começo?".
Tá, deixarei um pouco o drama de lado, eu sabia o assunto, mas ainda me encontrava perdido ao ritmo de terceiro ano. E o tempo passou, os segundos eram contados e os minutos rasgavam os meus neurônios ao decorrer que passavam. Até que o fim chegou, ali estava eu, um garoto cujas malas haviam sido roubadas e estava prestes a receber a pior nota da sua vida.
Entreguei a prova sem mais, achei ter me saído bem... pois é, achei. A fiscal perguntou "terminou meu filho?", mas deu para perceber que a intenção dela era dizer"finalmente acabou essa disgraça". Acabei, meu bem (tipico baiano falando), mas não sei se me saí muito bem (caralho, estava desabafando com a fiscal da prova? é o fim do mundo) "calma, querinho (olha a falsidade) você vai se sair bem, boa sorte". Bem, até onde eu sei, boa sorte na prova são para aqueles que não sabem muita coisa, não é? Enfim, naquele estado eu parecia não saber nada mesmo...
Passaram-se dois dias, a prova foi no sábado e o resultado era na segunda. Estava ansioso, claro, até aquele ponto acreditava que ia tirar uma nota boa, que pena de mim, estava tão feliz até aquele ponto. A mulher lá colocou o gabarito na parede e lá fui eu, um garoto cujas malas haviam sido roubadas, que estava prestes a receber a pior nota da sua vida e que a fiscal da prova havia desejado sorte, corrigir a prova. Desastre, 29% da prova... aquela nota me destruiu, um nerd de carteirinha que chega na escola quarenta minutos antes das aulas começarem para garantir o primeiro lugar da fila. Passei o resto do dia triste, cabisbaixo.
Mãe, tirei 29% na prova de biologia. "Calma, meu filho, você recupera na próxima", Mãe, a senhora não vai me bater? "porque deveria?" Mãe, acabei de tirar a menor nota da minha vida, a senhora não vai me bater? "Meu filho, você sempre tirou as melhores notas da sala, sempre me deixou orgulhosa, não será por uma notinha besta que você mereça apanhar". Caralho, as mães são mesmo estranhas.
Enfim, alí estava eu, um garoto cujas malas haviam sido roubadas , que havia acabado de receber a pior nota da sua vida, que a fiscal da prova havia desejado sorte e que a mãe rejeitara bater, sem nenhuma reação a primeira (e não a última) nota mais baixo que já havia tirado na vida.