quinta-feira, 26 de outubro de 2017

aprendendo a amar.

Aprendemos que devemos amar sobre tudo
Amar e nada mais
Nada mais além de amar.

Mas sabemos mesmo o que é amar?
Aprendemos que amar é estar com alguém
Depender
Doar a vida
Os bens
As coisas.

Sabemos mesmo o que é amar?
Porque vivemos exigindo do outro
Mesmo que pouco
Cobrando mais e mais amor.

Amar é doar
Não tudo
Mas parte de você
Amar é saber que estamos juntos
Não importa o que acontecer
E que ao nosso redor vive
Quem deveria viver.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Será?

Será que ainda consigo falar de amor?
Será que serei capaz de me reinventar
De me reconstruir, sarar
E me amar?

Sei que essas palavras
Tão doloridas agora
Serão motivos de chacotas
Pro meu eu do futuro
Mas o sentimento que reina no meu peito
Além da dor da sensação
De não ter feito tudo direito
Mas sim do meu jeito
Se espalha pouco a pouco
Dentro de mim.

Será que serei capaz de falar de amor?
Eu sei a resposta dessa pergunta.
Eu sei que ainda serei capaz de amar
Mais e mais
Muitas e muitas pessoas
Mas o que sinto agora
É a dor
Do vazio
Do meu peito.

Coração ferido.

O meu coração doi
A cada batida
A cada novo momento
A cada lembrança
Da despedida.

Ele se foi
Porque quis ir
Me fiz forte
Deixei-lo ir

Senti meu coração partindo
Nunca imaginei que minha liberdade
Tanto incomodaria
Acreditava que liberdade
Era prioridade
De quem amaria

Mas estava enganado.
Agora espero a dor passar
Para ser livre
Feliz
E repleto de amor.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Imperfeições.

Estou me bombardeando
De imperfeições
Estou implodindo
De defeitos
E descobrindo um eu que não sou
Mas insisto em ser

Estou à beira de está transformado
Quanto susto a gente passa.
Cobrindo-me de incertezas
Nas duvidas respostas múltiplas
Sinto que posso estourar
A qualquer instante.

Ao mesmo tempo em que me equilibro
Me reconstruo
Revejo o que de meu eu antigo é necessário
Me sinto totalmente instável.

Preço que pagamos
Por querer mudar.

domingo, 3 de setembro de 2017

Carta escrita no refúgio.

Quando estou sentado
No fundo do poço
Tenho o hábito
De escrever poesia.

Ao meu redor 
Os escombros do escavamento
Traz de dentro da terra
Sua camada de lamento
E eu me sento
Na minha tristeza
Umidade
Espero socorro
E me preencho de versos
Que cada pedaço de terra
Pedra
Me conta.

Às vezes meu corpo me leva
Pra baixo da terra
Nos escombros do buraco que cavei

Refúgio
Mãe terra
Que me enterrando
Choro o ser
Que deixei de conjugar.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Filme errado.

Existe um buraco dentro de mim
Nebuloso turvo
Barulhento
Existe em mim
Muito vazio e muito lamento
Fico dando voltas
Pra tirar de mim minha culpa
Mas cada vez que tento
Aproximo do alvo a lupa
Me vejo alto
Me sinto baixo
Tendo dormir pra esquecer
Mas eu deito em lençóis escuros
Esperando sonhos claros
Um redemoinho gira
A cada ar respirado.
"Os fatos..."
"Os fatos..."
As repetições 
Os atos
Cenas
Monólogos
Diálogos.

Corta!
Mas não tem volta
Sem take dois
Vivo o remorço
De mais um capítulo
Inacabado
Sem um bom roteiro
Ainda por cima mal gravado.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Evitando.

Estou sem vontade de escrever
Mas eu sinto que preciso

Tenho tanto a dizer
E sinto que minhas palavras fogem de mim
Tenho tanto a fazer
E sinto que ainda nado
Sem chegar na ilha
Sem atolar na areia

Preciso por pra fora
O que sinto
Por isso estou escrevendo

Estou evitando que minhas palavras
Fugitivas
Me sufoquem.