quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Imperfeições.

Estou me bombardeando
De imperfeições
Estou implodindo
De defeitos
E descobrindo um eu que não sou
Mas insisto em ser

Estou à beira de está transformado
Quanto susto a gente passa.
Cobrindo-me de incertezas
Nas duvidas respostas múltiplas
Sinto que posso estourar
A qualquer instante.

Ao mesmo tempo em que me equilibro
Me reconstruo
Revejo o que de meu eu antigo é necessário
Me sinto totalmente instável.

Preço que pagamos
Por querer mudar.

domingo, 3 de setembro de 2017

Carta escrita no refúgio.

Quando estou sentado
No fundo do poço
Tenho o hábito
De escrever poesia.

Ao meu redor 
Os escombros do escavamento
Traz de dentro da terra
Sua camada de lamento
E eu me sento
Na minha tristeza
Umidade
Espero socorro
E me preencho de versos
Que cada pedaço de terra
Pedra
Me conta.

Às vezes meu corpo me leva
Pra baixo da terra
Nos escombros do buraco que cavei

Refúgio
Mãe terra
Que me enterrando
Choro o ser
Que deixei de conjugar.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Filme errado.

Existe um buraco dentro de mim
Nebuloso turvo
Barulhento
Existe em mim
Muito vazio e muito lamento
Fico dando voltas
Pra tirar de mim minha culpa
Mas cada vez que tento
Aproximo do alvo a lupa
Me vejo alto
Me sinto baixo
Tendo dormir pra esquecer
Mas eu deito em lençóis escuros
Esperando sonhos claros
Um redemoinho gira
A cada ar respirado.
"Os fatos..."
"Os fatos..."
As repetições 
Os atos
Cenas
Monólogos
Diálogos.

Corta!
Mas não tem volta
Sem take dois
Vivo o remorço
De mais um capítulo
Inacabado
Sem um bom roteiro
Ainda por cima mal gravado.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Evitando.

Estou sem vontade de escrever
Mas eu sinto que preciso

Tenho tanto a dizer
E sinto que minhas palavras fogem de mim
Tenho tanto a fazer
E sinto que ainda nado
Sem chegar na ilha
Sem atolar na areia

Preciso por pra fora
O que sinto
Por isso estou escrevendo

Estou evitando que minhas palavras
Fugitivas
Me sufoquem.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Despi.

Despi
Tirei tudo que tocava
E entranhava
A minha pele

Tirei
As peças ultrapassadas
Apertadas
Desconfortáveis
Que não me cabiam mais

Despi
E me sinto leve
Solto

Vesti
O meu mais belo sorriso
Aquele
Que vem de dentro.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Uma vontade boba.

Às vezes eu tenho uma vontade boba
De fugir pelo mundo.
Já até a pus em pratica
Já corri sem saber onde chegar
Mas essa vontade boba
Agora
Tem pouco tempo pra passar.

Minha vontade boba
Já me levou a muitos lugares
Já me fez passar por coisas
De tão loucas
Indecifráveis
Mas eu cresci
E minha vontade boba
Apesar de ainda existente
Se mutou em uma outra vontade
Que é a de mudar minha realidade.

Depois que eu cresci
Minha vontade boba virou um compromisso
Todas as vezes que estou insatisfeito
Me refaço
Me olho por dentro
E me reconstruo.

A minha vontade boba de fugir
Na verdade
Sempre foi uma vontade de me transformar
Mas desde que eu cresci
Percebi que a mudança não vem de fora
Tem que vir dentro de mim.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Preto e branco.

Às vezes me pinto de preto e branco
Desaturo as minhas cores
Murcho
Calo.

Às vezes me sinto na beira
Sem querer ficar onde estou
Sem forças pra atravessar a linha

Às vezes me vejo estático
Parado
Clássico. Neoclássico
Não sei...
Mas estático
Inerte!

Vejo o meu mundo cair
Tudo ao redor desmoronar
E sobrar apenas uma pequena porção de terra
Onde habito.

Tudo se foi e eu estou parado
Nem mais linha tem para ultrapassar
Não tem ninguém além de mim
Na minha porção de terra
Não tem ninguém além de mim
Que possa ouvir minhas dores.

Minhas feridas 
Por falta de amor
Sangram mais e mais
Jorrando meu eu
Pelo abismo imenso
Que foi construído ao redor de mim

Agora eu estátua
Estático
Não tenho mais a opção de voltar
Nem a opção de seguir
E o que antes foi falta de força
Agora é minha única opção.
Estático.

Eu não nasci pra ser estátua
Esse talento, apesar de o fazer muito bem
Não é meu
Não me completa.
Não me resta outra opção.
Agora já foi e não tem como voltar.
Estático meu corpo enrijece
E minha mente explode
Logo parado não posso ficar
Dali do alto eu vejo
A falta de fundo nesse abismo
Respiro bem fundo
Crio coragem que nunca tive
E pulo.

Estou falando da minha queda.
Ainda não cheguei onde
O fim disso da
Estou falando da minha queda
A minha poesia é meu paraquedas
Agora é ver onde vou chegar.